segunda-feira, 7 de julho de 2008

O Médico e o Monstro

Fiquei extremamente chateado ao tomar conhecimento sobre a denúncia de corrupção que recaiu sobre o chefe da radiologia do maior hospital público de Florianópolis, Dr. Fernando Slovinski.
Conheço pessoalmente o denunciado, por essa razão afirmo, com alguma propriedade, que esta se trata de uma história real, na qual é remontada a dualidade expressa pelos personagens Dr. Jekyll and Mr. Hyde, as famosas faces do conto "O Médico e o Monstro".
Fato ocorrido, consumado e devidamente cinegrafado; ruim para a instituição, que tentava apagar a mal imagem deixada após denúncias envolvendo a existência de ratos em sua estrutura; pior para o profissional, que agora terá de explicar-se frente a inúmeras sindicâncias já abertas envolvendo seu nome.
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Fernando é conhecido no hospital pelo perfeccionismo e pela bipolaridade de seu estado emocional. Assumiu seu atual cargo pregando a organização dos processos internos, o asseio de seus comandados e um melhor atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde, atualmente (na teoria) único convênio de saúde atendido no Hospital Governador Celso Ramos.

Após alguns meses de gestão, Slovinski já comemorava alguns avanços, pois, assessorado por uma equipe competente, conseguia aos poucos atingir seus objetivos.
Nos dias em que sentia-se bem Dr. Fernando encarnava Dr. Jekyll, atencioso com colaboradores e pacientes, modelo no que diz respeito ao profissionalismo médico em instituições públicas. Nestas ocasiões era conceituado como um sujeito boa-praça, prático, bom ouvinte e comprometido com seu trabalho.
Contudo Mr. Hyde, o alter ego do médico, também comparecia ao hospital. Munido de uma dose extremada de soberba e uma falta notável de educação, Slovinski destratava à tudo e à todos, largava numa gaveta o juramento de Hipócrates e transformava o ambiente no qual estava inserido num local para não se estar, reinava ali a política do medo. Não à toa recebeu, graças a estas passagens, a alcunha de "cavalo".
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Imagens falam mais que mil palavras e para mim parece que a defesa do profissional médico irá penar para absolvê-lo das acusações impostas. Três mil e quatrocentos Reais (deveriam ser três mil e quinhentos como Slovinski repete inúmeras vezes na gravação), esse foi o preço pago pela execução de um exame que deveria ser gratuito e coberto pelo sistema de saúde mais premiado no mundo. O que os planejadores do SUS não imaginavam é que a universalidade, integralidade e a eqüidade preconizadas pelo seu premiado sistema, abririam tantas brechas para fatos como o ocorrido no Celso Ramos.
Que fique bem claro, Slovinski não foi, não é e nem será o único profissional médico a cobrar procedimentos particulares dentro de um hospital 100% SUS, talvez tenha sido apenas o ingênuo da vez.
Aguardamos agora os próximos capítulos desta novela, as punições, se existirem, desenharão o futuro do atendimento público de saúde em nosso Estado e de forma mais pontual no Hospital Governador Celso Ramos.
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A mesa está pronta, esperamos que o prato da vez não seja (novamente) pizza...

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