Não é novidade para ninguém que a frota de motocicletas vem aumentando no país vertiginosamente nos últimos anos, fatores como a facilidadade para enfrentar o trânsito caótico das grandes cidades e o financiamento convidativo contribuiram muito para esta realidade.
Também não chega a ser novidade nenhuma que boa parte dos acidentes de trânsito hoje em nosso país, tem relação direta ou indireta com o aparelho de duas rodas e custam muito para a saúde pública nacional.
O que faltavam eram os números:
-Entre 1990 e 2006 o número mortes decorrentes de acidentes de trânsito envolvendo motos cresceu 2.252% (299 em 1990 contra 6.734 em 2006), segundo pesquisa do Ministério da Saúde;
-No Hospital Governador Celso Ramos, referência em Traumatologia no Estado de Santa Catarina, 61% das internações através da emergência são ocasionadas por acidentes de trânsito envolvendo motos;
-De acordo com Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), no ano de 2008 foram vendidas 2 milhões de motocicletas no país e a atual frota ultrapassa 10 milhões de unidades;
- Novamente o Ministério da Saúde: o custo médio aproximado do tratamento de um paciente internado por fraturas decorrentes e costumazes ligadas a esta causa externa é de R$ 2.500,00, fora o pagamento da indenização através do DPVAT, seguro obrigatório para acidentes em vias públicas;
- Fora o prejuízo econômico, o aumento dos óbitos e acidentes também possuí um alto custo social e emocional em pacientes e familiares.
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Acredito que uma análise a ser realizada é o cruzamento das receitas advindas dos impostos relativos a venda de motos no país com o custo das internações (e posteriores tratamentos) causadas por acidentes com este veículo. Penso que o resultado desta pesquisa deverá ser alimentada ainda por fatores como:
- número de empregos envolvidos na produção específica das motocicletas;
- impacto do aumento das taxas para aquisição de motos no número de vendas do aparelho;
- custo envolvido na melhoria da fiscalização policial nas vias públicas;
- mensuração subjetiva da influência emocional das perdas envolvidas nestes acidentes.
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Com estas informações em mãos torna-se mais fácil adotar medidas para que uma conquista da indústria brasileira não se torne um pesadelo ainda maior para sua saúde pública.
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