quinta-feira, 6 de maio de 2010

Prática e teoria

Na Europa: sistema de ensino superior voltado exclusivamente para a academia, o aluno deve se concentrar na teoria e dela extrair os conhecimentos que poderão ou não serem utilizados na vida prática. Seu foco é bibliográfico e estágios são malvistos por tirarem a atenção dos alunos para aquilo que realmente interessa, o estudo puro e denso de fontes históricas.
Países em crescimento como o Brasil: sistema de ensino superior misto, os alunos podem ou não estagiar durante a sua formação (por necessidade ou busca por vantagem competitiva). Alguns cursos até obrigam os acadêmicos a adquirirem experiências práticas no decorrer do curso. Ganham as empresas com mão-de-obra semi qualificada e barata, ganham também os alunos que podem ilustrar de forma embasada análises que serão discutidas em sala de aula e também ganham os centros de integração empresa-aluno que criam um novo nicho de mercado.
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Há algum tempo já profetiso uma inversão no mercado global que tende a diminuir o poderio econômico da Europa no mundo, ao meu ver eles serão a América do Sul do futuro, demorará mas irá acontecer. Com recursos naturais escassos e mão de obra cara os países europeus começam a entrar num ciclo mortal e os primeiros reflexos já estão sendo sentidos na Grécia. As conquistas dos trabalhadores gregos, que demoraram décadas para serem conquistadas, serão cortadas imediatamente por causa da intervenção do FMI. Décimo quarto salário? Nem pensar, a Grécia se adequa ou vai para o buraco. Como os cariocas, que com o corte dos royalties do petróleo terão de trocar caviar por sardinha, os gregos terão que dar adeus a alguns luxos.
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O grande barato do capitalismo é isso mesmo, as novas fronteiras dos sistema são abertas de acordo com as necessidades competitivas de momento. A África está louca que chegue a sua vez. Com riquezas naturais ainda não exploradas devidamente, grande área e mão de obra ridiculamente barata, o continente logo estará também no olho do furacão do capital competitivo e, finalmente, poderá gozar dos inúmeros benefícios que o sistema os negou durante a história. O dinheiro vai para onde se multiplica mais rápido e facilmente, como um vírus, mas nesse caso, do bem.
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Tá e o que a educação superior tem a ver com tudo isso? Tudo. A competição que já acontece dentro das faculdades brasileiras, por exemplo, faz com que os alunos já saiam de lá com visão empreendedora: se diferencia dos demais ou morre. É irônico pensar que as próprias dificuldades do povo fazem com que seu material humano tenha de ser polivalente, o famoso teórico-prático. A lista dos 10 CEO's (Chief Executive Officer) mais bem sucedidos divulgada pela EXAME, baseada em pesquisa realizada numa parceria com a HSM Manangement mundial, demonstra essa realidade: 7 são de países em desenvolvimento. Destaco deste grupo figurinhas conhecidas como o brasileiro Carlos Goshn (ex-Nissan e hoje Renault), o multibilionário mexicano Carlos Slim (Telmex) e o indiano Ratan Tata (dono da Tata Motors).
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Não sou louco de defender o empirismo aqui, todo e qualquer engrandecimento teórico é absurdamente válido. Agora transformar nosso material humano capacitado, e cada vez mais procurado por empresas estrangeiras, em caixas de ressônancia não considero o caminho correto. Sou favorável sim a possibilidade, e se possível, o investimento em ações públicas que objetivem facilitar os estágios durante a faculdade. Voltar atrás seria um tiro no pé em relação a estratégia global. Nossa vantagem será menos duradoura que a que os Estados Unidos e a Europa tiveram, portanto vamos aproveitar. Mãos à obra acadêmicos!

6 comentários:

Unknown disse...

Grande Walter,

Abri o blog hoje na certeza que aquelas horas de conversa não teriam sido em vão. Dito e feito.

Centremo-nos no Brasil. Uma breve análise ao histórico de Carlos Ghosn nos fará constatar que o mesmo se formou engenheiro na Franca. Pois é, Cazao, na Franca, o país retrógrado, formador de caixas de ressonância, nao é mesmo? Talvez a tua admiraçao por ele mude agora.

O que mais me admira do teu texto é considerar que pregar uma formaçao teórica é voltar atrás!!!
Como se o excelente ensino brasileiro fosse parâmetro para qualquer coisa. Honestamente, uma pessoa que subjulga o modelo de ensino europeu e americano para exaltar o tupiniquim nao pode estar no pleno gozo de suas faculdades mentais.

Os Estados Unidos sao o país mais empreendedor do mundo, e o empreendedorismo nao se incute no fato de um cidadao ter 19 anos e tirar 300 xerox por dia. O empreendedorismo se fomenta, se cria com iniciativas públicas, com uma carga tributária decente, com um ensino voltado para tais iniciativas.

A NECESSIDADE que faz com que jovens muitas vezes passem 5 anos de faculdade fazendo trabalhos de pouco rigor intelectual e técnico nao pode ser confundida com empreendorismo.

Os BRIC se destacam atualmente porque existem um milhao de oportunidades inexploradas, por termos uma sociedade ainda em formaçao. Esse boom já ocorreu em grandes países. A sociedade desses países já passou por essa fase. Agora é nossa vez.

Bom, como toda boa discussao, essa nao terá fim. Mas deixo aqui minha contribuiçao e espero que deixes de admirar esse tal de Carlos Goshn, um retrógrado ressonante!

Fernando Wisintainer Luz disse...

Caro Grumichélvis,

Primeiramente agradeço vossa ilustríssima visita e comentário. O amigo sabe que sempre é muito bem vindo aqui.

Também achei que aquelas 14 horas de discussão não foram suficientes para tratar de forma completa o assunto, por isso larguei a isca.

Devo de prima dizer que em nenhum momento disse que a formação de Carlos Goshn foi realizada em nosso país, apenas o destaquei por ser de conhecimento público que o mesmo é brasileiro e faz questão de ainda falar, sempre que possível, em português (apesar de ter vivido pouco aqui).
Já que tocasse nesse ponto, provavelmente, já que estudasse a biografia do executivo a exaustão, deves saber que uma das principais mudanças efetuadas por Goshn após assumir a Renault foi buscar nos países de terceiro mundo executivos que, além da exigência de salários menores, também demonstravam ótimos resultados nas subsidiárias regionais. Os Estados Unidos tem estratégia semelhante com indianos, será coincidência?

Bom, isto explicado vamos aos outros pontos.

Tens uma facilidade grande de desvirtuar meus comentários em teu benefício, reconheço que é uma estratégia de ataque eficiente, mas que só funciona com debatedores incautos, modéstia à parte não me considero um deles. Exaltei sim o ensino superior de algumas faculdades tupiniquins, a Engenharia Mecânica da UFSC, por exemplo, é reconhecida mundialmente e seus egressos são disputados a tapas por empresas ao redor do mundo, inclusive européias, dizem que são profissionais prontos (contam com prática e teoria). Muitas faculdades européias e americanas têm marca, por isso também são chamarizes para material humano qualificado do mundo inteiro. Boa parte dos alunos de Harvard não são americanos sabia? Um dos grandes trunfos para que as universidades públicas brasileiras continuem a frente das privadas é o material humano, porque de estrutura e corpo docente já percebe-se um equilíbrio.

Concordo contigo sobre a questão do empreendedorismo. A grande barreira para a explosão empreendedora existe por conta da falta de políticas públicas para fomentar um modelo que contribua com nossos talentos. Teu exemplo do menino do xerox foi infeliz e descabido, não vou nem comentar em respeito a tua pessoa. Know-how se adquire fazendo ou acompanhando o processo. Estagiando podes ter acesso a uma parte deste conhecimento, cabe ao estagiário buscar e o empresário permitir.

Necessidade de estagiar? Diria mais pró-atividade. Alguns são escraviários mesmo, mas não dá pra generalizar. O malandro sempre tem uma desculpa na ponta da língua: como vou estudar? Blá, blá, blá...
Quem quer faz tudo, otimiza seu tempo e se diversifica.

É impressão minha ou concordasse sobre minha análise da transformação do capitalismo?

Respeito as tuas opiniões porque respeito também suas decisões de vida. Ambas estão muito mais amarradas do que vossa senhoria parece imaginar.

Um abração meu amigo,
Cazão

Bruno disse...

Caro Walter,

Como ponto de partida, devo dizer que não me utilizarei das tuas técnicas de ataque pessoal e comentários que fujam do campo estritamente ideológico. Também são eficientes, mas desvirtuam o objetivo da discussão.

Um debate sobre esse assunto, não deve se basear nas exceçoes. O teu amigo Carlos (ainda não explicasses qual o verdadeiro fundamento de citá-lo como um exemplo de exaltação tupiniquim, até porque não há explicação) é uma exceção, bem como o curso de Engenharia Mecânica da UFSC, tal qual os estagiários que não são "escravos", sim, estes também são exceção. Por algo são exceçoes, logo, não devem ser objetos de exemplificação na exposição de uma teoria, idéia ou pensamento.

Falando em desvituar, percebi uma certa tendência em mudar o foco da discussão: transformar o debate sobre modelos de ensino em um debate sobre material humano. Aí não vou discutir, porque não discordo. Talvez até por vaidade pessoal, tenho que concordar que os "emergentes" podem sim apresentar belos resultados e muita produtividade.

Tenho grande interesse em continuar a discussão, mas só pretendo fazê-lo quando voltares a tratar o foco da discussão, pois a pró-atividade do estagiário, o recrutamento de valores pelas universidades famosas em países em desenvolvimento, isto tudo está relacionado com capital humano e não com modelos de ensino. Logo, fogem do foco. O mesmo vale para as exceçoes. Por algo, assim as chamam.

Não concordo nem discordo da tua opinião sobre a transformação do capitalismo, até porque não pude entender tua posição a respeito. Apenas coloquei minha opinião, e te deixo uma pergunta: Concordas com a minha opinião? Pura retórica, meu caro.

Por fim, sobre o pensamento final de que as decisoes estão estritamente ligadas às opinioes, nao entendi também porque não pensaria da mesma maneira que tu. Estar mais de acordo seria impossível. Espero que não seja uma mensagem, porque, honestamente, não entendi o sentido.

Um grande abraço Walter.

Fernando Wisintainer Luz disse...

Caro Bruno Ribeiro Grumiché,

Tua visão é extremamente viciada para ver aquilo que te convém. Já disse que citei o Sr. Carlos Goshn porque o mesmo implementa aonde trabalha a valorização dos acadêmicos do chamado terceiro mundo. Leia mais a Exame, HSM Manangement e outras fontes. Acho que tens realmente lido muito, mas mal.

Citei o curso de Engenharia por ser um exemplo próximo a nós dois, mas poderia ter citado Jornalismo, Design ou Contabilidade, todos cursos muito bem avaliados mundo afora, com demanda externa relevante. Não seja leviano e não me venha com essa de "generalizar a exceção".

Em nenhum momento desfoquei o assunto, ou não concordas que boa formação gera bom capital humano? Quando falo sobre formação uno a teoria e a prática, afinal formação completa, ao meu ver, funciona assim.

Sobre a transformação do capitalismo: o capital segue as oportunidades. A África ainda não goza dos benefícios do capitalismo moderno pois ainda não é uma região monetariamente atraente. Quando essa realidade acontecer o próprio mercado tratará de criar meios para que os consumidores africanos podem realmente serem vistos como clientela a ser fidelizada. Até lá.... Entendesse?

Estagiário=escravo?Fale por si próprio. As experiências que tive e das pessoas que convivi demonstram o contrário. Lógico que os mais acomodados normalmente estacionam em vagas com baixa necessidade de pró-atividade, não demonstram assim sua bagagem de conhecimento e tornam-se profissionais medíocres. Daqueles que inventam informações nos trabalhos de faculdade ou copiam tudo de livros ou, os mais antenados, da Internet. Uma tristeza, as famosas caixas de ressonância (aí sim).

Tuas idéias refletem tuas ações foi sim uma direta. Defendes nesta discussão não tuas ideologias, mas as atitudes (ou a falta delas) que tomasse durante teu caminho. Agora, acho cedo para isso, já defendes teus passos como verdades absolutas. Tu és um grande purista de conveniência, mesmo assim respeito tuas posições e sei que ainda vais receber a chave da cidade no Orlando Scarpelli pelos teus feitos em prol da cidade que amas. Estarei lá para te aplaudir.

Um grandecíssimo abraço,
Cazão

Bruno disse...

Walter,

Sempre bom ver teus comentários.

Bom, nao vou redundar nos argumentos, porque a tua tática se demonstra infrutífera e pouco sagaz. Ao manter a mesma incongruência no teu ponto de vista, chego a uma reflexao: ou me expresso muito mal, ou estás estagnado nos argumentos, por nao poderes aportar mais ideias nem réplicas às minhas ponderaçoes. Sigo na dúvida.

Já sobre a direta que comentas, essa me reservo no direito de comentar. Se eu transportar a tua acusaçao para teu discurso, ela caberia perfeitamente. Defendes tua ideologias, que refletem nas tuas açoes. Vives da tua maneira, porque pensas da tua maneira. Acredito que valha para todo mundo. É tao simples como parece. Ajo de uma determinada maneira, porque acredito que deva ser a mais correta para conduzir minha vida. E só a minha, que nao deve ser a tua, necessariamente.

Sobre o "purista de conveniência", nao sabia que te dedicavas ao neologismo, mas se assim o fazes, agradeço a oportunidade de ser presenteado com expressoes como essas que a rigor, nao dizem nada e demonstram uma confusao dos argumentos bastante interessante.

Por fim, agradeço as tuas sugestoes de leitura (ou estaria no imperativo?), mas estou bastante satisfeito com as minhas. Defendo meus passos como verdades absolutas sim, mas só para mim, nao para os outros. Nesse caso específico, mudei de opiniao após 3 anos na Europa. Tive a oportunidade de viver uma experiência lá, e conviver com as pessoas aqui no Brasil outra realidade. Depois de 3 anos relutantes, me convenci que estava dentro do modelo mais interessante PARA MIM.

Agora, nao me pergunte como esse assunto chegou em acusaçoes e diretas! Talvez possa sugerir uma releitura dos posts. A agressao só é válida como argumento quando o conteúdo se esgota. Fica a reflexao.

No mais, estou pronto para o próximo embate (espero que dessa vez só ideológico). Podemos refletir mais na quarta. Vamos no Pedro ver o jogo?

Um abraço mestre!

Fernando Wisintainer Luz disse...

Professor Comicholes,

Me divirto muito lendo tuas réplicas. Não há dúvida que temos visões bastante opostas sobre o tema modelos de educação superior.

O purista veio do fato que defendes a academia por si só, onde a prática não tem vez e todos os estagiários são mão de obra barata.

Penso de forma diferente, até porque já vivenciei os dois lados da moeda. Ao contratar um estagiário não procuro um braçal-baixo custo, penso no estagiário como um ente que pode colaborar com a modernização dos processos internos de uma organização. Tens alguma dúvida que a juventude multimídia passará por cima da gente se não nos aliarmos a eles? Eu não. Relação simbiótica é aquela na qual ocorre o ganha-ganha. Estágio ao meu ver pode ser considerada uma destas relações e realmente só acho que tende a valorizar o passe de um indivíduo. Entendo, porém, a tua forma de absorver a realidade a tua frente.

Em nenhum momento fugi do assunto, assumo ataques não velados que visaram te abrir os olhos para um mundo além da tua bagagem de viagens. És brasileiro, moras aqui e tua carreira, torço eu, será desenvolvida nestas terras, portanto desembarque dessa caravela européia.

Desconstruisse meus pensamentos com engenhosidade infantil. Ideologias que geram atitudes são respeitadas, atitudes que, por conveniência viram ideologias são, ao meu ver, demonstração de covardia. Neste caso a ordem dos fatores altera o produto final. Acredito que a reflexão aqui deve continuar sendo executada por vossa senhoria.

Sobre o convite te afirmo que já aceitei e lá estarei. A companhia dos nobres amigos tem alegrado minhas quartas-feiras. Estou ansioso para achar um novo ponto de conflito para discussões engrandecedoras como esta.

Um grande abraço,
Caza