
Tenho saudade dos tempos em que o politicamente incorreto ainda não incomodava ninguém. Naquele tempo as crianças comiam chocolate em forma de cigarro e 90% dos brinquedos eram relacionados à violência (quem não teve um Lango-Lango, um soldadinho que rastejava ou ainda aquela arma branca que produzia sons bizarros?). Tempos nos quais o Milkybar ainda se chamava Lolo e a moda do pirocóptero dominava o ensino fundamental.
É provado cientificamente que se, quando criança, você deliciar-se com Cigarrinhos de Chocolate sua chance de ser um fumante de cigarros de tabaco aumente muito. Concordo em partes com esse controle, mas pergunto: o que é benéfico e o que é maléfico no acesso das crianças a estes tipos de informações? E afinal quem segue à risca o manual do politicamente correto?
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Estava tudo certo:
- Controlando a televisão educaremos nossas crianças. Devemos administrar os horários e os conteúdos dos programas. Brinquedos serão censurados se comprovado que podem causar danos futuros ao psicológico dos jovens. Vamos cercá-las, assim facilitaremos nosso trabalho de educar e ainda por cima diminuiremos os custos públicos com saúde e segurança.
- Perfeito! Criemos então órgãos que controlarão estas minúcias, assim as redes televisivas e as fábricas de brinquedos terão de adequar-se sob a pena de multas pesadas por desobediência.
- Ótimo! Redija e eu assino.
Mas veio a Internet e destroçou esse plano brilhante. Como será possível controlar conteúdos agora? Ao clique de um mouse o mundo abre-se aos olhares infantis, informações infinitamente mais perigosas do que um gato correndo atrás de um rato com um martelo estão dispostas 24 horas por dia. Acredite em mim, as crianças de hoje são multimídias e farejadoras sagazes de materiais politicamente incorretos.
Sempre considerei os humanos seres movidos à desafios e obstáculos. Mostre um doce para uma criança, depois o coloque em um lugar de difícil acesso e divirta-se ao flagrá-la tentando alcançá-lo das mais geniosas formas.
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Censurando conteúdos sem critério e de forma atrapalhada não criamos crianças puras e sim pequenos fraudadores.
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A mesma lógica aqui apresentada pode ser aplicada às absurdas normas do CONAR que barram a criatividade dos premiados publicitários brasileiros.
2 comentários:
Pois é. Eu como publicitário (nada premiado) convivo com isso diariamente. E não é só o CONAR, hoje o próprio congresso vai contra a nossa atividade em prol do "politicamente correto". Como se a publicidade fosse responsável pelos males da sociedade. O Brasil é o país onde se ataca a consequência, nunca a causa. Então tenta se limitar e controlar o conteúdo da mídia destinado às crianças (e aos adultos também), ao invés de se preocuparem em botá-las nas escolas.
Quando eu era criança adorava jogar meus comandos em ação de cima da cama, nem por isso depois de grande joguei minha filha pela janela.
Adentioni
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impebmagopeno
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